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A gravidade do adoecimento emocional e psicológico dos policiais penais

Suicídio de policial penal em Londrina acende novo alerta para a necessidade de um programa de atenção à saúde ocupacional dos servidores penitenciários no Paraná O mês de abril começou com a trágica notícia do suicídio do policial penal Alisson Serion, 44 anos, em Londrina. O servidor vinha sofrendo de uma série de problemas emocionais e psicológicos que culminaram na sua morte prematura.

O trabalho no ambiente prisional é responsável por elevado índice de adoecimento entre os servidores da área. Pesquisa realizada pelo Sindicato dos Policiais Penais (SINDARSPEN), em 2016, apontou que 48% dos agentes admitiam tomar medicamentos com regularidade; desses, 82% faziam uso de remédio para transtornos de origem psicossocial.

A pressão, os riscos iminentes, a sobrecarga pela falta de servidores, a invisibilidade social, a falta de valorização pelo poder público. Tudo isso ajuda a criar o cenário ideal para o surgimento de muitos problemas que acabam tendo como fim o suicídio.

No ano passado, o policial penal Alinor Dimas Paes, de 57 anos, teve um surto psicótico que também culminou em sua morte, após usar seu revólver para atirar a esmo e acabar sendo alvejado pela Polícia Militar na tentativa de contê-lo, no bairro do Sítio Cercado, em Curitiba.

Alisson e Alinor são exemplos de vidas perdidas pela falta de tratamento adequado.

Assédio moral agrava a situação

Além de toda a pressão típica da atividade penitenciária, os elementos para adoecimento dos policiais penais são agravados muitas vezes por práticas de assédio moral. Foi o que aconteceu com Alisson. Dias antes de cometer o suicídio, ele chegou a relatar a colegas que não estava mais suportando a perseguição que vinha sofrendo no ambiente de trabalho.

No início deste ano, o SINDARSPEN lançou uma campanha em todo o Paraná com o objetivo de alertar a categoria sobre a importância de denunciar práticas de assédio moral que ocorrem nas unidades prisionais. Desde o início da campanha, cresceu o número de servidores que procuram o Sindicato em busca de auxílio jurídico para enfrentar a situação de assédio. “Muitos servidores têm vergonha de buscar ajuda e essa campanha tem servido para encorajar os colegas a romper com o silêncio diante da violência psicológica que sofrem no local de trabalho”, explica o presidente do SINDARSPEN, Ricardo Miranda.

Atenção à saúde ocupacional dos policiais penais

Desde 2016, o SINDARSPEN vem cobrando que o Governo do Estado implante um programa de atenção à saúde dos servidores penitenciários. Naquele ano, a entidade colocou em prática o projeto de realização da Semana de Saúde do Trabalhador Penitenciário, com o objetivo de provocar o Executivo a agir nesse sentido.

Em 2018, o sindicato entregou ao DEPEN uma minuta de programa elaborada com base na Resolução n° 1/2016, do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP) do Ministério da Justiça, que dá as diretrizes para a implantação e manutenção de programa de atenção à saúde e qualidade de vida dos servidores penitenciários. No entanto, o programa nunca foi implantado.

No ano passado, a Secretaria de Segurança Pública lançou o Prumos, programa voltado à saúde mental de todos os servidores da pasta, mas, até o momento, o projeto não gerou muitos resultados entre os policiais penais.

“A morte do Alisson mexe novamente nessa ferida. Até quando os policiais penais vão trabalhar sem esse suporte?”, questiona o presidente do sindicato. Fonte:https://www.sindarspen.org.br/noticias/ler?link=a-gravidade-do-adoecimento-emocional-e-psicologico-dos-policiais-penais13042021


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